O primeiro motivo que quero falar por que sou cristão é: porque eu quero! Profundo não? Acho que tantas pessoas tentam provar que o cristianismo é verdadeiro, através de testemunhos sobre experiências religiosas, ou pela lógica, e acabam se esquecendo de que ser qualquer coisa nesta vida é um ato de vontade. A vontade é o desejo praticado por um ser racional, e por isso, posso dizer que a vontade é o remo das nossas vidas. Posso, logicamente, também dizer que os desejo são semelhantes a um leme; assim, não adianta querer ir de barco para uma bela ilha sem remos para nos tirar do lugar.
Nasci em um lar evangélico, filho de uma presbiteriana do Brasil, mulher bastante piedosa. Ela faleceu quando tinha meus quinze anos, entretanto, eu continuei na igreja até meus 18 anos, e me afastei por motivos filosóficos. Na época, simplesmente pensei assim: "Por que o cristianismo é verdadeiro e as outras religiões não?". Por causa dessa honesta pergunta, e como resposta, uma tola atitude, mantive-me afastado da igreja por quase 5 anos.
Voltei à fé cristã logo após ter lido um livro sobre apologética cristã, “Fundamentos Inabaláveis”. Interessei-me pelo livro, porque o começo dele falava sobre princípios básicos de filosofia, como a lei-da-não-contradição. Achei que o livro apresentava uma resposta bastante coerente sobre a fé cristã, então tomei a atitude de segui-la daquele momento em diante.
Agora, volto ao ponto de partida. Daquela época até hoje, continuei como cristão não porque todas as minhas questões tinham sido respondidas, mas porque eu tinha tomado uma decisão e não voltaria mais atrás. Antes de continuar, quero aqui fazer uma observação: não desejo que alguém pense que acredito que Deus não fez parte da minha conversão, pois sei que ele fez, o que desejo é expressar simplesmente o meu ponto de vista humano.
Um dos meus mestres escreveu que uma das barreiras da fé muitas vezes eram as questões emocionais. “Às vezes...” - escreveu ele - “...você pode acreditar que o médico é apto para fazer aquela cirurgia, mas pode sentir um medo irracional de que algo de ruim vai acontecer quando se deita em uma maca e você é anestesiado, e se sente exposto a uma situação de incapacidade” (mais ou menos isso, acho). As barreiras emocionais que se levantaram contra mim foram ser rejeitado pelos amigos e pelos intelectuais. Mas as minhas velas já estavam levantadas, e eu não pretendia abaixá-las, então o vento soprou a meu favor.
Bem, o que depois disso aprendi, nesta fé, Deus não espera que sejamos perfeitos para sermos cristãos, mas que tomemos uma posição em nossa vida quanto à vida que ele oferece. Devemos desejar ser quem ele quer que sejamos, e remar na direção que ele nos mostra. O que muitas vezes não queremos, por preguiça ou covardia, no final das contas, é remar contra as correntezas da vida: nossas fraquezas, a cultura do mundo, a dor, os obstáculos etc.
Bom, não sei dizer ao certo se esse foi o meu principal motivo de ser cristão, mas garanto que foi e é um dos mais importantes. Por fim, vejo na minha decisão um pouco da idéia que Pascal elucidou. Nesta vida, apostei as minhas fichas neste caminho; não tenho fé suficiente para apostar tudo que tenho, mas creio na boa mão que tenho para apostar alto.
Nenhum comentário:
Postar um comentário